A controvérsia central consistiu em saber se, à luz da Lei 4.595/1964 e das resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central, as instituições financeiras podiam cobrar, em contratos bancários, tarifas de abertura de crédito e emissão de carnê, bem como financiar o IOF com incidência dos encargos do mútuo principal. O STJ partiu da competência normativa do CMN e do BACEN, prevista nos arts. 4º, VI e IX, e 9º da Lei 4.595/1964, recebida com força de lei complementar no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. Reconheceu que, sob a Resolução CMN 2.303/1996, vigente até 30/04/2008, havia disciplina mais aberta, permitindo a cobrança de serviços efetivamente contratados e prestados, desde que observada a transparência. Com a Resolução CMN 3.518/2007, eficaz a partir de 30/04/2008, e a padronização da Circular BACEN 3.371/2007, a cobrança de serviços prioritários para pessoas físicas passou a ficar restrita às hipóteses taxativamente previstas, sem previsão para TAC e TEC. Por isso, o Tribunal fixou que, nos contratos celebrados até 30/04/2008, a pactuação dessas tarifas era válida, ressalvado o controle de abusividade no caso concreto; após essa data, a contratação deixou de ter respaldo normativo. Também assentou que a Tarifa de Cadastro permaneceu válida, por ter fato gerador próprio e incidência apenas no início do relacionamento. Quanto ao IOF, entendeu ser lícito convencionar seu pagamento por financiamento acessório, sujeito aos mesmos encargos do mútuo principal. O acórdão mencionou precedentes da própria Segunda Seção, especialmente o REsp 1.270.174/RS, e harmonizou a tese com a jurisprudência sobre controle concreto de abusividade e com a Súmula 297/STJ quanto à incidência do CDC, sem afastar a necessidade de prova objetiva do excesso.