A questão jurídica central consistiu em definir se, nas cédulas de crédito rural, a capitalização de juros pode ser pactuada em periodicidade mensal, apesar da regra legal que menciona a exigibilidade semestral. O STJ concluiu que sim, porque o art. 5º do Decreto-Lei 167/1967 contém autorização específica para a capitalização dos encargos nas datas previstas e, segundo a jurisprudência consolidada da Corte, essa disciplina especial prevalece sobre a regra geral da Lei de Usura. O acórdão destacou o enunciado 93 da Súmula do STJ, segundo o qual a legislação sobre cédulas de crédito rural, comercial e industrial admite o pacto de capitalização de juros. Também mencionou precedentes que reconhecem a possibilidade de capitalização mensal quando houver pactuação expressa, inclusive distinguindo hipóteses em que a semestralidade foi aplicada apenas porque não havia cláusula contratual específica. Quanto à mora, o STJ assentou que, reconhecida a legitimidade dos encargos da normalidade contratual, não subsiste a descaracterização da mora com base nesse fundamento. Ainda assim, no caso concreto, manteve-se a vedação à cumulação da comissão de permanência com outros encargos moratórios, por ausência de impugnação da parte adversa quanto a esse ponto. Não houve revisão de tese; o acórdão reafirmou a orientação já consolidada.